Liana Paiva
repórter
A soja tem sido a principal fonte de crescimento econômico do Piauí – (Foto: Reprodução/Parlamento Piauí)

Após um ano de perdas em função das adversidades climáticas, a safra de grãos 2021/2022 no Piauí voltará a crescer. E vale ressaltar que será um super crescimento. A estimativa é de uma colheita acima de 5,5 milhões de toneladas, representando um volume de 10,7% superior aos pouco mais de 5 milhões de toneladas geradas neste ano. E, novamente, o destaque do agronegócio piauiense fica por conta da produção de soja.

Só que, desta vez, a previsão é de um destaque histórico para os produtores da oleaginosa no Piauí. E o motivo é simples, afinal, eles devem colher na safra do próximo, não mais de 3 milhões de toneladas do grão. Essa será a primeira vez que a casa dos três milhões será ultrapassada, além de representar uma alta de 12,1%, maior entre todos os produtores de soja do país, inclusive da média nacional que deve fechar em 2,5%.

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“A previsão é que o aumento da produção esteja relacionado à expansão da área. O calendário da semeadura começou e produtores estão esperando a regularização das chuvas para o plantio. Normalmente, ela ganha volume na segunda quinzena deste mês”, disse Candice Santos, superintendente de Informações da Agropecuária da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de onde estão saindo todas essas previsões.

Todos os índices fazem parte do primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), focando a nova temporada e mostram que a safra de grãos do país deve crescer 14,2%, com uma produção de 288,6 milhões de toneladas, atingindo um novo recorde. Conforme a análise dos especialistas do órgão, a maior parte das regiões produtoras ainda não iniciou o plantio, com isso, as estimativas são baseadas em dados históricos e estatísticos.

E como neste ano, tudo vai depender das condições climáticas. No Piauí, as expectativa são boas, como confirma o climatologista Werton Costa. De acordo com ele, o cenário é bastante promissor para o final do ano, sendo importante pelo fato de que é nesse período que se começa o plantio. “Estamos com uma condição de La Nina, conjugada, alternada, com o aquecimento do atlântico, e vai garantir boas chuvas em novembro e dezembro”, adiantou.

Werton informou que nesse período, segundo a meteorologia, será com chuvas nos próximos dois meses, o chamado pré-estação, que serve, principalmente, para o preparo da terra e início do processo de plantio na faixa da Matopiba, fronteira agrícola compreendida entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. “Isso é muito bom, mas é preciso ficar atento porque cada lavoura tem seu ciclo temporal para desenvolvimento, e ainda temos que esperar pelas previsões do ano que vem que não estão totalmente definidas”, completou.

E é justamente na região da Matopiba que se concentram os dez municípios piauienses que mais produzem grãos: Baixa Grande do Ribeiro, Uruçuí, Bom Jesus, Ribeiro Gonçalves, Santa Filomena, Currais, Gilbués, Monte Alegre do Piauí, Sebastião Leal e Palmeira do Piauí. Todos estão situados na região dos Cerrados, sendo responsáveis por mais de três quartos do valor total obtido. Juntos, esses municípios produzem quase 80% da safra do Piauí, gerando mais de R$ 4,6 bilhões de receita.

Área plantada em expansão

Segundo o levantamento da Conab, esse valor no Piauí deverá crescer, também, tendo em vista a previsão de área plantada que deverá crescer 3,8%. “O valor da produção agrícola do Piauí é altamente dependente da produção de grãos, os quais têm uma cotação de preço nacional quase nivelada. Então, esta variação se dá, basicamente, em decorrência das diferenças do impacto do clima nas diferentes regiões do Brasil sobre as culturas de grãos”, explica Flávio Cipriano, servidor da Supervisão de Pesquisas Agropecuárias do IBGE no Piauí.

Todas as culturas têm previsão de crescimento para a safra 2021/2022 no Piauí, inclusive a de milho, que sofreu algumas quedas. A colheita do grão, que é o segundo maior em volume no Estado, deve registrar uma alta de 8%, produzindo quase 2,3 milhões de toneladas. O crescimento piauiense é superior a média da região Nordeste, que tem previsão de 5,1% de alta, porém, bem abaixo da média nacional que deve crescer sua colheita de milho em mais de 30% ano que vem.

Importantes para o consumo diário dos brasileiros, a dupla arroz e feijão, de acordo com as estimativas iniciais, apresentam produções que garantem o abastecimento no mercado interno. Para o primeiro produto, a produção deve se manter relativamente estável em torno de 11,6 milhões de toneladas. Já a leguminosa, tende a apresentar um ligeiro crescimento de 0,8% na área a ser semeada na primeira safra. Como o produto é cultivado ao longo do ano, o volume é ajustado dentro do próprio ano safra. A estimativa é que a produção total de feijão chegue a 2,97 milhões de toneladas, somando-se as três safras.

E a partir deste levantamento, a Conab irá informar dois quadros de suprimentos para algodão, arroz, feijão e milho.

Essa dupla informação será apresentada até o final da comercialização da safra 2020/21. No caso do milho, por exemplo, os dois quadros serão apresentados até fevereiro do próximo ano, quando se encerra a terceira safra do cereal.

Em relação ao mercado externo, o algodão em pluma e a soja seguem com cenário positivo. Neste levantamento, a companhia manteve o volume previsto de 2,1 milhões de toneladas para a exportação da fibra de algodão na safra 2020/21 e houve uma amena redução para os embarques previstos de soja para o período, que ficou estimado em 84,3 milhões de toneladas.

Fonte: Meinorte.com/painelagro
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